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| Lost Hearts, de Tara McPherson |
terça-feira, 3 de julho de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
s2s2s2s2
então... hj é aniversário de uma pessoa muito importante pra mim. é até difícil escrever qualquer coisa sobre esse cara, que tem acesso direto à minha alma e vai ser, no que depender de mim, trilha sonora até da minha morte. forte militante pelo vegetarianismo e direitos animais (ainda podia ser vegano, né??), geminiano com lua em escorpião, usa sua voz e suas palavras pra cantar sobre as profundidades mais depressivas da alma humana... as letras dele se encaixam perfeitamente nos momentos mais importantes e desoladores da minha vida e narram muitas das histórias que vivi. não saio mais na rua sem a companhia da voz dele, que é tbm toque do meu celular, rs... amo muito, muito mesmo.
além de tudo isso, essa data marca uma coisa importante, o que o torna ainda mais relevante pra mim...
segue uma música que dói, dói muito. e que tem uma das minhas melodias preferidas! essa escalinha de guitarra é matadora!! vida longa ao morrissey!
terça-feira, 1 de maio de 2012
Despida de minha mocidade, assisti à decrepitude chegar. Levou-me as vistas, levou-me a feição, levou-me os anos. Levou-me as vestes, levou-me os sonhos, levou-me as lembranças. Restaram o silêncio, as rugas e a frígida insônia invernal. A chama trepidante espalha seus raios finais. No jazigo carcomido, repouso e ressono, com o canto distante dos pássaros que desconhecem o vazio de não deixar de existir.
domingo, 29 de abril de 2012

Criatura abortada, morta em seu vir-a-ser
A noiva abandonada no altar
O buquê de pequenas rosas apodreceu
O terno risca-de-giz do noivo mofou
O feto permanece imerso em seu berço de formol
esperando o sopro divino, raio de vida que lhe abrirá os olhos
para um mundo que nunca viu.
Pequena aberração
tão desejada pelos pais
rejeitada por deus e pelo diabo.
Quando a noite é silenciosa,
posso ouvir seu coração titubear.
O túmulo putrefato da existência é o útero que se faz seu ninho
O aroma agridoce da podridão anuncia
que sua hora está chegando...
Você já pode ver a luz?
Seu pai irá voltar.
...

E agora, José?
O buquê secou
O noivo morreu
A noiva ficou esquecida
O feto não nasceu
A vida prosseguiu
Mas não para eles
O mundo continuou a girar.
Rosas e escombros.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Mas que bobagem... As rosas não falam...
« Ela me perfumava e me iluminava...
Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis.
São tão contraditórias as flores!
Mas eu era jovem demais para saber amar ».
Antoine de Saint-Exupéry
Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis.
São tão contraditórias as flores!
Mas eu era jovem demais para saber amar ».
Antoine de Saint-Exupéry
quinta-feira, 12 de abril de 2012
The more you ignore me...
Take the easy way
And give in
Yeah, and let me in...
And give in
Yeah, and let me in...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Perséfone Alice no país das más ervilhas de uva...
Aqui sentada, consigo ver seus dentes flutuando em minha frente... Um sorriso que não sorri. Que mais esconde do que revela... Dizem que quando você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho o levará lá. Mas eu sinto que é o contrário... Que nenhum caminho nos leva a lugar nenhum. Que nenhum caminho nos leva lá onde nós estamos... E então nós ficamos aqui, neste suspenso, uma garota boba e um gato que sorri sem se mostrar... No fim das contas, eu devo estar correndo atrás do coelho branco que vai me levar pro meu próprio julgamento. Cortem-lhe a cabeça! Antes tarde do que nunca... E vamos pintando assim, as rosas cor de carmim, porque é o que temos para hoje.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Contos
Uma série de minicontos experimentais e não-pretensiosos, rs...
O ofício
Pegou seu bloco e começou a escrever. Decidira tentar mais uma vez com os contos. É a história de um casal. Cena corriqueira: ela secando os cabelos e ele irritado pois não consegue ouvir o futebol na tv. Discutem. Enquanto escreve, sente-se feliz consigo mesma: "é uma história comum, muitos vão se identificar". Continua escrevendo o diálogo do casal. "As falas estão bem plausíveis", pensa. A história continua, mas o contentamento diminui. "O que quero dizer com isso tudo?" As linhas se seguem, mas o diálogo não chega a lugar algum. Pensa em arrancar as folhas e começar outra história, mas não consegue: sua mão está escrevendo sozinha. A discussão segue interminavelmente. Não há mais argumentos mas os personagens continuam a discutir, e a caneta a escrever. Tenta levantar da cadeira, gritar, empurrar o papel... Tudo em vão. As horas passam. Tornou-se prisioneira das letras. A história prossegue.
Férias
Ela: amor, a gente podia viajar nestas férias, né?
Ele: claro, linda. Você está a fim de ir a algum lugar?
Ela: a gente podia visitar aquele seu amigo, né?
Ele: quem, o Val?
Ela: não, aquele outro.
Ele: quem, o Dodô?
Ela: não, aquele outro.
Ele: quem, o Nardinho?
Ela: não, aquele outro.
Ele: quem?
Ela: aquele lá... que você sempre conta aquelas histórias...
Ele: quem, o Elton?
Ela: isso!
Ele: você quer ir visitar o Elton?
Ela: é, você sempre fala dele. A gente podia ir visitá-lo, né?
Ele: o Elton? Aquele que tem uma mansão em uma praia privativa no Nordeste, que eu não vejo há dois anos, que é um dos melhores amigos da minha ex-namorada, com quem fiquei por sete anos, noivei e que terminou comigo há seis meses, sendo que você sabe tudo isso e a gente só está junto há dois meses? Esse Elton?
Ela: onde é mesmo que o Dodô mora?
Baseado em fatos semi-reais relatados por pessoas semi-reais.
Ofício
Os personagens discutem há três dias. Ela já não come, não dorme e não vai ao banheiro: sua mão está presa à caneta e a caneta ao papel. Seu corpo não tem mais forças. Decide acabar com tudo. O personagem saca uma arma e atira à queima roupa na cara da mulher. Antes que o corpo dela chegue ao chão, ele atira contra a própria cabeça. A escritora enfia a caneta em sua jugular e assiste contentemente ao sangue derretendo as páginas daquela história que ela odiou ter escrito.
Visita
Foi passar um fim de semana na casa do tio. Enquanto termina de se enxugar no banheiro, ouve a voz de alguém falando sozinho. Aproxima o ouvido à porta. Seria possível que o tio estivesse rezando? Ali, bem na passagem entre o banheiro e o quarto de visitas? Imagina-se fazendo aquele trajeto correndo, enrolado na toalha. O constrangimento toma conta. E se o tio o interpelasse, convidando-o a se juntar na oração? Inaceitável. Os minutos passam e a voz continua. Crendo que a reza do tio só teria fim com sua presença, não agüenta a pressão: pula a janela e vai embora, começar vida nova em algum lugar distante daquilo tudo.
Lexicofilia
Cresceu ouvindo que seria escritora. Colecionava dicionários, amava as palavras. O que ninguém sabia é que era incapaz de escrever. Como escolher uma palavra em detrimento de uma infinidade de sinônimos? Era lexicamente poligâmica.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Strangelove
Estranho amor, estranhos altos e estranhos baixos
Estranho amor, é assim que é o meu amor
Estranho amor, você o dará pra mim?
Você aceitará a dor? Eu o darei pra você
De novo e de novo, e você vai devolvê-lo?
Haverá vezes em que meus crimes
Parecerão quase imperdoáveis
Eu sucumbo ao pecado
Porque você tem que fazer esta vida "vivível"
Mas quando você achar que eu já tive o suficiente
Do seu mar de amor
Eu vou querer mais de um rio cheio disso
Sim, e eu vou fazer tudo valer a pena
Vou fazer seu coração sorrir
Estranho amor, estranhos altos e estranhos baixos
Estranho amor, é assim o meu amor
Estranho amor, você o dará pra mim?
Você aceitará a dor? Eu o darei pra você
De novo e de novo, e você vai devolvê-lo?
Haverá dias em que vou andar a esmo
Eu posso parecer estar constantemente fora de alcance
Eu sucumbo ao pecado
Porque gosto de praticar o que eu prego
Não estou tentando dizer que terei tudo do meu jeito
Estou sempre disposta a aprender
quando você tiver algo a ensinar
E eu farei tudo valer a pena
Farei seu coração sorrir
Dor, você vai devolver?
Vou dizer novamente - dor (3x)
Dor, você vai devolver?
Não vou dizer novamente
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Does the body rule the mind or does the mind rules the body? I know
Isso é bom demais pra ser relegado às brumas do meu cérebro, por isso vem pra registro.
"Ambos [Nietzsche e Espinosa] tomam o conhecimento como o mais potente dos afetos. O conhecimento ser visto como um afeto é algo completamente diferente da tradição filosófica. E é dito como sendo o afeto mais potente. O conhecimento, neste caso, tanto para Nietzsche quanto para Espinosa, é o conhecimento não só da realidade como dos próprios afetos. Se conhecemos a maneira como somos afetados, como funcionamos - nossas reações e motivações afetivas -, esse conhecimento é o que mais tem poder sobre os nossos afetos e, portanto, sobre as nossas ações. A tradição filosófica sempre buscou uma verdade a priori, ou seja, uma verdade em si ou formalmente verdadeira. Tanto Espinosa, no século XVII, quanto Nietzsche, no século XIX, tentam mostrar que uma verdade formal não existe. Segundo eles, nós só existimos no mundo sensível, na realidade, então a verdade consiste em conhecer esse mundo no qual a gente se insere e não conhecer uma verdade que seja formalmente impassível ou imutável."
...
"FILOSOFIA: Mas o homem seria livre para decidir contra os afetos?
Martins: Isso é o que a gente faz o tempo todo, não é? Vamos pensar em exemplos concretos: a pessoa quer parar de fumar e não consegue, quer emagrecer e não consegue, quer ser só bonzinho e não consegue. Por quê? Porque ela está na ficção do livre-arbítrio. Em outros termos, Espinosa diz que achamos que a vontade é livre, mas a vontade não é livre. Ela depende do corpo. Vivemos em uma cultura que se autoengana e, neste sentido, a história da Filosofia inteira está errada. Como se fosse possível, eficaz ou vantajoso tomar decisões contrárias ao nosso corpo e aos nossos afetos. Ou, para usar um termo de Espinosa, que é também um termo da Psicanálise, contrário ao nosso desejo."
...
"Por mais que se acredite e se iluda de que a vontade é livre, a pessoa não vai conseguir ir contra si mesma. E aí vai gerar o quê? Já misturando com a Psicanálise: vai gerar neurose, depressão, a pessoa vai entrar em crise. Não só em respeito à sexualidade como diversas outras coisas. Se estou sem fazer nada em que me sinta realizado, me expandindo, vou ficar deprimido, abatido. Não adianta uma pessoa que está com uma vida infeliz pensar que precisa ter força de vontade. E aí vêm todos os jargões, tanto da religião quanto da autoajuda, quanto da neurolinguística, de ficar repetindo "eu vou aguentar, eu vou aguentar". Você não está tendo o conhecimento como o mais potente dos afetos. Não está tentando entender o que em você faz que esteja infeliz e o que em você lhe motivaria, lhe deixaria mais realizado."
Tlimtlimtlim! Acabei de descobrir a palavra-tema da semana: congruência! Eu já estava há algumas semanas pensando sobre minha relação mente-corpo, que tem preponderância do segundo. E desde que tenho atuado ativamente rumo ao veganismo, tenho sentido que minha mente e meu corpo estão se relacionando mais harmonicamente... Ontem à noite eu pensava mais fortemente nesse tema, lutar contra o corpo, contra o que o corpo deseja, e o tanto que isso é risível e infrutífero. Então, lendo essa entrevista hoje, a sincronicidade fez seu trabalho e eu entendi o tema sobre o qual que devo filosofar esta semana, rs...
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
And I would like to give you what I think you're asking for...
eu só queria ter podido dar um beijo de feliz aniversário no meu menino de cabelo roxo... ='(
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Soneto de Maior Amor
decorei este poema em 99, qdo fazia teatro... fazia muito sentido na época. sempre fez muito sentido desde então. apareceu na minha cabeça agora. ainda não analisei pq, mas resolvi publicar mesmo assim. saudades de alguém que me lembra poesias...
Soneto de Maior Amor - Vinícius de Morais
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Soneto de Maior Amor - Vinícius de Morais
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
sábado, 19 de novembro de 2011
Sobre a teimosia de não aprender o que já se sabe...
"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência.Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.
Porque, apenas então, o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano. Mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento." Osho

Morte e renascimento... Temas escorpianos. Que o escorpião que tatuei na minha perna guie meus passos, o correr do meu rio, pra que eu não faça escolhas por fraqueza, comodidade e medo. Que a dor e a insegurança não paralisem meus passos. Eu só posso ter o futuro oceânico que eu mereço se eu perder o medo de deixar de ser apenas rio...
Mais ainda pra eu não esquecer, Tarot do dia: 6 de copas. A importância de refletir. Essa carta convoca "sua alma a se voltar para o passado, a fim de meditar e refletir a respeito de questões que ficaram mal resolvidas ou mesmo apegos que você ainda não superou direito." "Lembrar o passado é uma forma de evitar repetições infelizes..."
terça-feira, 13 de setembro de 2011
se você ama algo, deixe-o livre. se voltar, é porque você o cativou. se não voltar, é porque nunca foi seu....
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